O Anacleto

Um Blog Alter. Charros. Aborto. No Bush.

quarta-feira, outubro 13, 2004

Rosas com espinhos

Camaradas,

Apesar de militante fundador d'O Anacleto, tenho-me mantido afastado do debate elevado e da corajosa participação cívica que por aqui se produz, descontente que estou com algumas tomadas de posição reaccionárias e totalmente descredibilizadoras do espírito revolucionário que deveria animar este projecto (blog é palavra vinda do Grande Satã!).

Porém, não mais posso conter a revolta, camaradas. É hora de pousar a chave inglesa e falar bem alto.

A vassalagem que o Anacleto tem prestado a Nando Rosas, esse fassista encapotado, é de uma ingenuidade assustadora, não condizendo com o esforço necessário para sabotar a roda dentada do capitalismo opressor. Porque Rosas não serve para travar a locomotiva galopante dessa tenebrosa coligação neo-liberal-fassista, é, pois, nosso dever hostilizá-lo e não idolatrá-lo.

Sempre que vejo Rosas, lembro-me do opressor que está ali em cima no escritório, o dono ilegítimo dos meus meios de produção, o fassista que me explora até às entranhas. A figura e os hábitos insuportavelmente burguesas são os mesmos: o corpo anafado de capitalista abastado, as camisas francesas mais caras que o melhor dos berbequins, o cheiro transeabundo (temos que incorporar no léxico revolucionário as palavras do Povo!) do cachimbo.

Camaradas: A Revolução não pode tolerar desvios burgueses desta sorte. Lembro com saudade o dia em que Zita Seabra, essa traidora da classe operária e dos ideais de liberdade de escolha das mulheres portuguesas, foi expulsa do PCP por ter começado a frequentar pastelarias e ginásios. Rosas só será o Grande Educador que os camaradas julgam que ele é quando adaptar as suas condições de existência às condições miseráveis de vida das massas oprimidas. Só será um contributo para a marcha inexorável do Socialismo quando deixar de se dedicar aos prazeres inúteis do consumismo burguês.

Por enquanto, é apenas um pseudo-intelectual que se aproveita dos valores da Revolução para cumprir o objectivo em que está veradeiramente empenhado: a acumulação de capital.