O Anacleto

Um Blog Alter. Charros. Aborto. No Bush.

segunda-feira, setembro 27, 2004

Justo revisionismo: não é Anacleto quem quer, mas apenas quem pode

É hoje, já, por demais evidente que O Anacleto trouxe fracturas dramáticas dentro do campo de combate à furiosa ofensiva imperialista neoliberal e neostraussiana. Ao introduzir clareza no debate ideológico, O Anacleto conduziu a realinhamentos violentíssimos no campo anti-fascista e anti-imperialista, com tomadas de posição no mínimo surpreendentes. Como muito bem notou o André (talvez o Anacleto mais Anacleto fora do Anacleto), graças ao Anacleto a esquerda voltou aos locais donde nunca deveria ter saído. E nesse regresso às bases (FUT), O Anacleto obrigou muita gente a clarificar-se. Foi o que fez o André, a que logo se tentou vergonhosamente colar o Ivan. Desesperado, perdido nas suas referências, imediatamente o Ivan procurou uma colagem oportunística ao André e, dessa forma, ao Anacleto. Precipitadamente, O Anacleto julgou então (aqui) que o Ivan estava pronto também ele a ser convidado a integrá-lo. No entanto, reunido o Praesidium do Comité do Comité Executivo Central, em conjugação com a Comissão da Direcção Operacional da Célula Regional e consultado o Grupo de Trabalho A+B+C (a dividir por Z, mas isso agora não interessa) da Divisão Orgânica Electro-cibernética, O Anacleto decidiu rever o convite que foi endereçado ao Ivan. A deliberação baseia-se nos seguintes motivos:
1 – Aburguesamento galopante, manifestado por um abuso do tempo de férias, nomeadamente as passadas no Brasil, na ilha de Fernando Noronha, uma ilha de acesso reservado e reservado só às bolsas mais cheias do dinheiro sujo da burguesia. Ivan, os trabalhadores são convidados a minar o funcionamento do sistema capitalista gozando de grande número de dias de férias, mas essa atitude não é extensível aos intelectuais. Os intelectuais devem conduzir a revolução, para tanto se revelando incansáveis nos seus esforços. E muito menos devem gozá-las em locais de predilecção da burguesia (a menos que haja uma razão estratégica para isso). Uma semanita em Quarteira ou (de preferência) na Trafaria era certamente um programa mais adequado.
2 – Um gosto inqualificável pela alienação futebolística. Uma percentagem insuportável da escrita do Ivan é gasta com futebol, desporto que (toda a gente sabe) apenas serve para alienar o povo, fazendo-o esquecer-se da luta pela conquista do poder. O futebol é o novo ópio do povo! (documento anexo aqui)
3- Um gosto inaceitável por objectos artísticos decadentes. Fotografias quase pornográficas, de actrizes ocidentais decadentes, promovendo o sexo mercantil ou o desejo gratuito (documentos anexos aqui, aqui e aqui). Incansáveis citações de artistas imperialistas norte-americanos, todas feitas (atenção!) na desprezível língua (talvez devêssemos antes chamar-lhe escarro) imperial (documentos anexos aqui e aqui).
4 – Ausência de críticas à nova ofensiva neoconservadora personificada na dupla fascista Santana-Portas. Umas poucas e tímidas críticas ao bácoro neofascista e neoimperialista George W. Bush não são suficientes para compensar uma cobarde abulia no ataque ao santano-portismo.
Por estas razões, temos de fazer a nossa primeira revisão de linha. Se antes tínhamos convidado o Ivan, agora temos de alterar a nossa posição. O Ivan, visivelmente, não está preparado para integrar O Anacleto. O Anacleto está, de resto, convicto (em face das suas anteriores posições) de que a tentativa de aproximação do Ivan não passou de uma colagem oportunística perante o desafio ideológico trazido pelo Anacleto, uma posição sem qualquer sinceridade e que não pode ser aceite por todos aqueles que defendem a única linha possível para a vitória


Assina o Praesidium do Comité do Comité Executivo Central, em conjugação com a Comissão da Direcção Operacional da Célula Regional e consultado o Grupo de Trabalho A+B+C (a dividir por Z, mas isso agora não interessa) da Divisão Orgânica Electro-cibernética do Anacleto